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OAB/Iguaba elabora projeto de sustentabilidade e consolida fama de “subseção verde”

A preocupação com o meio ambiente tornou-se, há décadas, protagonista de grandes debates ao redor do mundo. Estudos científicos, acordos globais e ações de organizações não governamentais comprovam a escassez de recursos e escancaram a gravidade da situação. No estilo ‘pensando globalmente, agindo localmente’, a OAB/Iguaba Grande vem centrando sua atuação institucional na sustentabilidade desde a sua criação, em 2016. Após tornar-se signatária do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e ingressar em comitês locais ligados à defesa do meio ambiente, a presidente da subseção, Margoth Cardoso, volta seus olhares a questões intramuros e busca o título de primeira subseção autossustentável do Brasil.

“Não defendemos apenas o meio ambiente, mas ações em prol do futuro de todos. Quando assumi, percebi que poderia contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos colegas não apenas profissionalmente”, afirmou nesta quarta-feira, dia 19, logo após reunir-se com membros da diretoria da Seccional para apresentar o projeto da mini estação de tratamento de esgoto que será instalada na subseção.

O objetivo de tornar-se autossustentável pode parecer ambicioso para uma subseção jovem e pequena, mas o projeto elaborado é apenas mais um passo – o maior até agora – de uma política ambiental já em curso. O plano de gestão foi dividido em seis eixos, alguns de simples aplicação: captação de água da chuva, energia fotovoltaica, educação ambiental, resgate da memória e criação de um ecoponto. O sexto ponto é justamente o tratamento do próprio esgoto pelo sistema de wetland, que consiste na utilização de plantas específicas que atuam como um biofltro e são capazes de remover uma série de poluentes como matéria orgânica, nutrientes, patógenos e metais pesados. A tecnologia reduz o uso de estruturas mecânicas e é mais eficiente do que os modelos convencionais. Após este processo, a água utilizada na subseção retornará limpa à rede pública, reduzindo o impacto no sistema de tratamento municipal.

“Temos que reaproveitar o que for possível, trabalhar com reciclagem. Nossa meta principal é diminuir o uso de recursos naturais e neutralizar nosso impacto negativo no meio ambiente”, explica Margoth. A pedra fundamental da estação de tratameto será lançada em agosto, durante a comemoração do mês da advocacia, e a previsão é de que a obra seja concluída antes do fim do ano.

Um forte investimento na educação ambiental da população vem sendo, também, ponto de destaque na OAB/Iguaba Grande. Além de cursos para advogados sobre assuntos ligados à área, a subseção tem realizado ações junto aos alunos da rede municipal de ensino, com visitas guiadas à horta ôrgânica da subseção, debates com especialistas, exposições de fotos e atividades que buscam o envolvimento dos jovens. Para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em 5 de junho, foi promovido um concurso de redação. Em 2018, foi realizada uma mostra fotográfica sobre a natureza da região, visando a estimular a preservação.

O portão de entrada da sede da OAB/Iguaba Grande esconde uma quantidade de legumes, árvores frutíferas e hotaliças. Ocupando cerca de 500m², praticamente metade da área total da propriedade, a horta orgânica é bem cuidada e conta com sistema de irrigação automatizado a fim de evitar o desperdício de água. Além de receber estudantes interessados em conhecer mais sobre sustentabilidade, o local é palco de uma feira orgânica todas as terças e quintas-feiras, quando os advogados da região podem comprar alimentos livres de agrotóxicos por apenas R$ 2.

Outro ponto salientado por Margoth foi a importância da logística reversa, que, instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos pode ser resumida como a responsabilidade compartilhada de cuidar do retorno dos produtos descartados, dando adequada destinação final ao término de sua vida útil. Cabe ao consumidor devolver esses produtos da melhor maneira e, para isso, existe na subseção um local de recolhimento de pilhas e baterias, que futuramente receberá, ainda, medicamentos com a data de validade ultrapassada, “coisa que muita gente não liga, mas que é danosa ao meio ambiente e contamina o solo”.

Após a inauguração da wetland, restará apenas a instalação de placas de energia fotovoltaica para a conclusão do plano de sustetabilidade. Margoth confirma a intenção de consolidar a OAB/Iguaba Grande como modelo de gestão a ser seguido e considera que projetos deste tipo, além de colaborarem com a preservação do meio ambiente, contribuem de forma positiva para a imagem da Ordem”.

Modelo ampliado

A política ambiental da OAB/Iguaba pode servir de modelo para projetos ainda maiores. Com cadeira na atual gestão do Comitê da Bacia Hidrográfica Lagos São João a subseção vem participando ativamente das discussões do grupo e foi chamada a contribuir com um plano de despoluição das lagoas locais. Após apresentar um planejamento inicial, os representantes da Ordem sugeriram a criação de um pólo sustentável em Iguaba Grande.

“Deixou de ser um projeto sanitarista pra virar um projeto socioambiental, que atacaria diversos indicadores negativos da cidade. Movimentaríamos a economia, a cultura e educação e atenderíamos boa parte da demanda de alimentos da municipalidade. Este projeto tem o objetivo de mudar não só Iguaba Grande, mas toda a Região dos Lagos”, considera Margoth.

Entre outras coisas, o plano associa a revitalização dos rios do município à criação de uma nova estação de tratamento de esgoto, além de um centro de estudos do ecossistema da região, com a abertura de cursos técnicos com bolsas para 90 jovens carentes, a criação de uma horta orgânica municipal, e de um mercado para escoar a produção. “Se não tivermos um olhar para o futuro, para a sustentabilidade, a manutenção da vida ficará muito complicada. Precisamos tomar medidas urgentes, realizando um trabalho sério e rápido”.

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